" APRESENTAÇÃO"

Blog de quilombosnoparana :Comunidades Tradicionais Negras e Quilombolas do Paraná, ' APRESENTAÇÃO'

Em frente a residência de Dª maria Gertrudes - registro realizado por Fanny Regina de Oliveira


Os relatos aqui apresentados referem-se aos dados e informações, colhidas no trabalho de campo realizado através de visitas às Comunidades Tradicionais Negras e Quilombolas existentes no meio rural em alguns dos municípios paranaenses  - entre os anos de 2004 e 2007 - como integrante do Grupo de Trabalho Clóvis Moura.

As informações foram extraídas de " Cadernos de Campo "utilizados no momento do trabalho de levantamento  para facilitar  a organização e a sistematização de relatório, também fornecer  aos interessados na temática subsídios para uma melhor compreensão de onde estão e como vivem estas Comunidades.

Também foram incorporados aos relatos, observações e reflexões desenvolvidas durante o processo de realização do trabalho.

Em todas as etapas do trabalho foram assegurados os princípios éticos do levantamento pois envolvia seres humanos, não se tratando simplesmente de uma coleta de dados. Tanto os relatos, quanto as fotos que registram a presença destes grupos foram feitos com o consentimento das pessoas, das famílias e da comunidade.

Sempre enfatizamos o direito que possuíam em  responder ou não o questionário todo ou parte dele, mas em todas as Comunidades consentiram e responderam livremente. Registramos algumas dificuldades no Quilombo de "Campina dos Morenos", que só decidiram nos receber depois de um ano do nosso primeiro contato com a comunidade.

A solicitação  do retorno de nossa equipe para efetuar o trabalho com a comunidade, na época, partiu do então Secretário de Cultura do Município de Turvo que muito nos auxiliou e a quem agradecemos.

Clemilda Santiago Neto

Historiadora e Especialista em Educação Patrimonial

clemilda.santiago@gmail.com

(41) 84301435

 Correção ortográfica e formatação Fanny Regina de Oliveira 

 

 

sexta 13 março 2009 18:35


RESUMO DO PROJETO DE LEVANTAMENTO HISTÓRICO, EDUCACIONAL, SÓCIO ECONÔMICO E CULTURAL NOVEMBRO/2004

Blog de quilombosnoparana :Comunidades Tradicionais Negras e Quilombolas do Paraná, RESUMO DO PROJETO DE LEVANTAMENTO HISTÓRICO, EDUCACIONAL, SÓCIO ECONÔMICO E CULTURAL NOVEMBRO/2004

Na foto está o Senhor Francisco - Quilombo do Rio do Meio / município de Ivaí, que com 75 anos de idade, juntamente com sua esposa dona Maria Cecília de 71 anos,  plantam milho feijão amendoim - foto Clemilda

 

RESUMO DO PROJETO DE LEVANTAMENTO HISTÓRICO EDUCACIONAL, SÓCIO ECONÔMICO E CULTURAL ELABORADO EM NOVEMBRO DE 2004

 

Presidente do Grupo de Trabalho Clóvis Moura:

                                          Glauco Souza Lobo/SEEC

Coordenação da execução de Levantamento:

Técnica Pedagógica Profª Clemilda Santiago Neto/SEED

Registro Fotográfico e Audio Visual: Maria do Socorro Araujo 

                                            Fernanda Maria de Castro Paula/SECS

Consultoria: Ms. Jayro Pereira de Jesus/SEAE

              

Correção ortográfica e formatação Fanny Regina de Oliveira

 

IntroduçÃo

O Grupo de Trabalho Clóvis Moura realizará um levantamento; Histórico, Sócio-econômico, Educacional e Cultural nas Comunidades de Remanescentes de Quilombos, Terra de Negros, Terra de Preto, como poderão ser definidas após o trabalho realizado pelo Governo Federal através do INCRA. Neste levantamento as mesmas, relatarão suas histórias bem como apresentarão as suas necessidades básicas a fim de serem beneficiadas com ações, programas e projetos do Governo Federal, Estadual, Seppir e Fundação Cultural Palmares.

 

Objetivo Geral

            Subsidiar a construção de um modelo de Política Pública para o desenvolvimento sustentável para estas Comunidades.

 

Objetivos Específicos

Descrever o perfil populacional das comunidades;

Descrever as condições de vida nas comunidades quilombolas;

Descrever a situação atual sobre a ocupação da terra;

Descrever a situação sobre a educação e saúde;

Descrever a participação das comunidades em programas assistenciais;

Descrever as fontes de geração de renda;

Descrever a situação alimentar e nutricional;

Descrever o acesso aos direitos legais dos membros das comunidades;

Descrever a situação ambiental;

Descrever os padrões culturais;

Conhecer, em profundidade, as necessidades das comunidades.

 

Instrumento de Coleta

O instrumento contém perguntas fechadas para análise quantitativa e abertas para a análise qualitativa. 

As informações constantes nos questionários preenchidos e devolvidos serão armazenadas em um banco de dados e em planilha e disponibilizados em forma de relatório, de forma impressa e online.

  

PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO DESTES GRUPOS

Para realização do trabalho de Mapeamento e Identificação das Áreas onde se localizam estas Comunidades Negras, tanto as Rurais, como as Urbanas, se levará em conta:

1)   Processo de produção autônomo (livre acesso a terra, decisão do que plantar e comercialização independente de qualquer controle externo);

2)   Capacidade de organização político-administrativa;

3)   Critério ecológico de preservação dos recursos;

4)   Auto-definição dos agentes e da coletividade;

5)   Grau de conflito e antagonismo;

6)   Formas de uso comum; combinação de domínios privados (familiares, domésticos) e públicos.

Os relatórios sobre estas situações, depois de cumprida a fase de ida a campo, deverão conter elementos baseados para a definição destas Comunidades e o tratamento a ser dispensado a cada uma delas, podendo também servir de guia para estudos que objetivem a formação de processos administrativos para o reconhecimento e identificação das comunidades negras rurais e urbanas de acordo com o preceito constitucional.

No que se refere à delimitação e reconhecimento dos territórios ocupados por estas comunidades, de relevante importância será a atuação e os trabalhos técnicos de agrimensores do Instituto do ITCG/ Paraná e do INCRA.

Sugerimos ainda que os trabalhos técnicos dos agrimensores poderiam começar logo após a realização dos trabalhos de campo e levantamento dos dados pelo Grupo de Trabalho Clóvis Moura. Deste modo, poderão ter acesso a informações importantes sobre o território ocupado pelas comunidades, a existência de sítios históricos significativos, áreas de ocupação tradicional, locais de roça, pesca, caça e o processo de territorialização que atinge os grupos.

É possível que, em alguns casos, possa haver coincidência na chegada do agrônomo para medição das terras e o período de campo do GTCM, que coleta o material de levantamento básico.

No trabalho de delimitação do espaço ocupado pela comunidade, o contato primeiro com o GTCM pode também desempenhar um papel decisivo na aceitação dos levantamentos topográficos pelos membros das comunidades e a imprescindível articulação entre ambos os trabalhos, no reconhecimento dos seus direitos para efeitos de aplicação do artigo 68° do ADCT/CF-88. Propomos que os próprios membros das comunidades devam acompanhar diretamente o trabalho realizado pelos técnicos e participar na indicação dos limites do território por eles ocupado.

Os trabalhos de mapeamento e identificação das áreas remanescentes de quilombos terão sua importância para a implementação de políticas públicas com subsídios governamentais federais e estaduais, Seppir e da Fundação Cultural Palmares. Tais informações constituirão um banco de dados atualizável de forma constante, o que permite orientar futuras ações conjuntas no sentido de contemplar os direitos constitucionais das comunidades negras rurais e urbanas. Deste modo, os trabalhos de campo realizados pelo GTCM, no mapeamento e identificação destas comunidades como se definem legalmente, remanescentes de quilombos, terra de negros, terra de pretos  constituirão uma fonte preciosa para o aprofundamento do acervo de dados compulsados.

              

Bibliografia

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Documentos

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BRASIL. Constituição da Republica Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988.

BRASIL. Decreto Presidencial 3551/2000 de 04 de agosto de 2000. Institui o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem patrimônio cultural brasileiro, cria o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial e dá outras providências. http://www.cultura.gov.br/legislacao/decretos/index.html

BRASIL. Decreto Presidencial 4.887/2003 de 20 de novembro de 2003. Regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos de que trata o art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. In: Diário oficial da União Edição Número 227 de 21/11/2003

BRASIL. Decreto Presidencial 5051/2004 de 19 de abril de 2004. Promulga a Convenção n° 169 da Organização Internacional do Trabalho - OIT sobre Povos Indígenas e Tribais.

          In: http://www.trt02.gov.br/geral/tribunal2/Legis/Decreto/5051_04.html

BRASIL. Instrução Normativa Nº 20, de 19 de Setembro de 2005 do Ministério do Desenvolvimento Agrário-Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação, desintrusão, titulação e registro das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos de que tratam o Art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988 e o Decreto nº 4.887, de 20 de novembro de 2003. Diário Oficial da União Edição Número 185 de 26/09/2005

BRASIL. Portaria n° 6 DE 1º DE MARÇO DE 2004 do Ministério da Cultura-Fundação Cultural Palmares. Regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades de quilombo de que trata o art. 68/ADCT, e o disposto nos arts. 215 e 216 da Constituição Federal. Diário Oficial da União Edição Número 43 de 04/03/2004


terça 17 março 2009 23:40


RELATO DE EXPERIÊNCIA NO TRABALHO COM FAMÍLIAS NEGRAS DO MEIO RURAL/PARANÁ

Blog de quilombosnoparana :Comunidades Tradicionais Negras e Quilombolas do Paraná, RELATO DE EXPERIÊNCIA NO TRABALHO COM FAMÍLIAS NEGRAS DO MEIO RURAL/PARANÁ

 

Esta foto registra o momento em que o Senhor Juvenal, líder do Quilombo do Feixo no Município da Lapa, está nos acompanhando na visita às famílias do Feixo-Botiatuva

 

RELATO DE EXPERIÊNCIA NO TRABALHO DE LEVANTAMENTO DOS GRUPOS DE FAMÍLIAS NEGRAS EXISTENTES NO MEIO RURAL NOS MUNICÍPIOS PARANAENSES, NO PERÍODO DE NOVEMBRO DE 2004 À NOVEMBRO DE 2007

 

Clemilda Santiago Neto 

Historiadora e Especialista em Educação Patrimonial

 

 Correção ortográfica e formatação Fanny Regina de Oliveira 

 

Resumo: Um relato da experiência, adquirida no trabalho de campo na busca por famílias negras moradoras do meio rural vivendo em comunidades nos municípios paranaenses. A questão se desvela de maneira favorável, para se encontrar estes grupos, pela existência de uma vontade política que permeia a estrutura do atual governo e nos mostra também como o pesquisador é um personagem historicamente comprometido, e que suas ações estão politicamente inseridas. Descrevo aqui os acontecimentos que apontaram para um método desenvolvido de forma organizada , os relatos do trabalho efetuado no momento de visita á estas comunidades que habitam o meio rural com observações baseadas nos seguintes itens: A lei do silêncio;" o que preferem não relatar nem discutir ", O esquecimento,  " o que não conseguem lembrar, do que ouviram dos antepassados" o ocultamento " O que é segredo ", também relato aquí a dinâmica dos grupos, as estratégias para permanência  que garantiram a sobrevivência destas Comunidades enquanto grupos familiares.

 

              1.   APRESENTAÇÃO

 

No ano de  2002, no Departamento de Ensino Médio na Secretaria de Estado da Educação, juntamente com os colegas, Maria Aparecida Bremer e Edson Liohiti, começamos a pensar na inclusão da História e Cultura Afro no contexto da sala de aula e também na questão da historiografia paranaense, onde o material dentro da temática era praticamente inexistente. Passamos então a sistematizar as idéias no papel, como por exemplo: a possibilidade da elaboração de um mapa do Estado do Paraná, onde estivessem contemplados todos os quilombos existentes, quais os municípios paranaenses que teriam estes quilombos? Ou então, quem sabe também a criação de um Parque, um “Memorial da Cultura Afro” onde a as crianças os jovens e adolescentes, enfim, a população paranaense pudesse conhecer a Cultura Afro brasileira e a História dos Negros no Brasil, a História da África, para que a partir da escola se pudesse entender o continente africano e se obter um conhecimento maior de  nossas raízes  e da  ancestralidade africana que se encontra em cada um de nós. 

No ano de 2003, estas idéias sistematizadas, como proposta para discussão e a elaboração de um Projeto sobre a História e a Cultura Afro no Paraná, apresentamos para as Entidades do Movimento Negro de nosso Estado , em  reunião realizada na cidade de Curitiba.

Em conjunto com estas lideranças decidimos entregar para a Secretaria de Estado da Cultura  esta proposta entendendo no momento que este trabalho poderia ser  conduzido  pela mesma com a participação da Sociedade Civil organizada, mas não obtivemos resposta alguma.

Quando assume como Secretário Estadual de Educação, Maurício Requião de Melo e Silva, e como Superintendente de Educação a Professora Drª Yvelise Freitas de Souza Arco Verde, sinalizamos com a proposta ainda  para  que o então Secretário, intermediasse o diálogo com a Secretaria de Estado da Cultura, nesta questão.

O Secretário  decide que esta discussão deve  permanecer na Secretaria de Estado da Educação porque  entende que ela será o local pólo para tratar destas questões e irradiá - las para  toda a estrutura de Governo do Estado.

Com a autorização e a assinatura do Secretário de Educação do Estado do Paraná, através da Coordenação de Atividades Complementares/Seed, sob a chefia de Carlos Augusto Soares de Oliveira, começamos o trabalho enviando para  as Secretarias Municipais de Educação em todos os municípios paranaenses um ofício solicitando informações sobre a existência ou não de fazendas históricas da época do Brasil colônia e, a permanência no município, de descendentes dos negros que foram escravizados nestas fazendas, ou então da possibilidade da existência de famílias negras no meio rural, em caso afirmativo qual seria a sua localização e o número de famílias. Alguns municípios como Ivaí, nos responderam afirmativamente, mas, de Ponta Grossa e Guarapuava nenhuma manifestação houve, justamente nos municípios onde as Comunidades existentes já estavam em intensa luta por seu direito á terra e por melhores condições de vida.

Em outubro de 2004, acontece o I Encontro de Educadores Negros, proposto pelo Coletivo de Educação do Fórum de Entidades Negras do Estado do Paraná  realizado em Faxinal do Céu - município de Pinhão, apesar de algumas controvérsias.

Neste encontro os educadores participantes nos passaram informações da existência de famílias negras que viviam em seus municípios no meio rural, seus filhos freqüentando as escolas municipais e também as estaduais .

Começa a  surgir então uma listagem  de grupos familiares negros no meio rural paranaense, ao visitar estes grupos, os mesmos nos indicam outros e a lista cresce ainda mais.

Inicia-se então a discussão sobre como chegar a estas famílias, qual seria a melhor forma, tomam parte destas discussões; Glauco Souza Lobo/Secretaria de Estado da Cultura, Jayro Pereira de Jesus/Secretaria Especial para Assuntos Estratégicos e Clemilda Santiago Neto/Secretaria de Estado da Educação, estas discussões nos levaram a decidir a primeira viagem, em novembro de 2004, para conhecimento de alguns grupos nos municípios de Dr.Ulysses, Adrianópolis e Jaguariaíva.

Quando retornei  estava criado o Grupo de Trabalho  Clóvis Moura, pela Resolução conjunta nº 01/2005 dos Secretários de Estado da Educação/Maurício Requião de Mello e Silva; –  Assuntos Estratégicos/Dr Nizan Pereira; – Cultura/Vera Maria Haj Mussi Augusto; –  Comunicação Social/Airton Carlos Pissetti; – Meio Ambiente/Luiz Eduardo Cheida – em 05/04/05, para o Levantamento básico das Comunidades Tradicionais Negras e de Remanescentes de Quilombos, existentes no Estado do Paraná.

 

 

2.   INTRODUÇÃO

Iniciamos as visitas aos grupos familiares negros localizados nos municípios de Dr.Ulysses, as comunidades de Queimadinho, Três Barras e Varzeão, no município de Adrianópolis à comunidade de João Surá e em Jaguariaíva aos parentes dos negros do Varzeão e Queimadinho. Acompanharam-me nesta viagem a fotógrafa Fernanda Maria de Castro Paula/Secretaria de Comunicação Social e Cristina de Léo/Secretaria de Educação do Estado do Paraná. Mais tarde, como representante da Secretaria de Estado de Educação, indicada pelo então Secretário Maurício Requião, coordenei a Ação no Campo para o trabalho no GTCM.

As demandas no campo eram principalmente conhecer os problemas enfrentados por estes grupos de caráter social, econômico, educacional e cultural com possibilidade de atendimento pelos programas do Governo Federal, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Seppir e Fundação Cultural Palmares, estabelecidos para estas comunidades como também para subsidiar a construção de um Programa de responsabilidade do Governo do Estado do Paraná direcionado a estas populações para atendimento de suas necessidades básicas estabelecendo com elas práticas para um  desenvolvimento etno-sustentável, com Projetos específicos em cada Secretaria de Governo.

Os relatos aquí publicados, tratarão nada mais e nada menos do que vimos e ouvimos nestas “Comunidades”, enquanto equipes de trabalho o que encontramos e registramos , anotando, fotografando e filmando, bem como  descrever o que  os moradores destas comunidades nos apresentaram:  “as suas histórias”, “suas necessidades básicas”, “suas principais preocupações e reivindicações” 

Bem... encontrar os locais onde vivem as comunidades,  foi um trabalho lento e muito difícil, mas a riqueza de experiências que  vivenciamos  oportunamente, chamaram à atenção, como por exemplo o destaque para a beleza do que resta da floresta de araucárias, os rios quase secos por conta do plantio de pínus, e isto praticamente em todo o território paranaense. Passamos  algum  tempo navegando na Bahia de Guaraqueçaba, utilizando para este trabalho o  barco do Instituto Ambiental do Paraná enquanto  visitávamos as ilhas para verificar a  presença de famílias negras nestes locais, mas só encontramos, maciçamente, essa presença no continente, nos Quilombos de Batuva e Rio Verde e também  seis  famílias de pescadores no bairro do Costão/sede do município.

A visão de árvores, pássaros dos mais variados tipos, as ilhas, o caranguejo de cor alaranjada que se destaca em meio ao mangue preto e a água do mar, dá uma sensação maravilhosa de bem estar e tranqüilidade. 

Os negros moradores dos "Quilombos", das "Comunidades Negras Rurais" e das "Terras de Preto",” Terras de Santo” —  no Paraná, os vários nomes pelos quais são conhecidas essas áreas de resistência, tiveram origens diversas, se estabeleceram em lugares de uma beleza infinita. 

Algumas surgiram em fazendas abandonadas pelos donos, outros pelas doações de terras para ex-escravos, assim como terras foram compradas pelos escravos que foram alforriados. Outros ganharam áreas como reconhecimento da prestação de serviços de escravos em guerras como a do Paraguai, ou então como no caso da Lapa, os negros ganhavam pedaços de terras aos redores da fazenda, onde tinham a sua própria roça de subsistência o que deixava o dono da fazenda e dos escravos sem a responsabilidade de sustentá-los.  

Houve ainda algumas terras que eram de ordens religiosas, deixadas sob a administração de escravos e ex-escravos no início da segunda metade do século XVIII, como o caso da Fazenda Capão Alto no município de Castro.  

As histórias destes grupos  são preservadas, em grande parte, pela comunicação oral.  Com o tempo, as festas populares, a culinária, a devoção a determinados santos e algumas lendas  e mitos são mantidos, mas a sua explicação e significado vão se tornando verdadeiros mistérios, ocultados, ou então, sendo “esquecidos...” quando os moradores mais velhos nestes agrupamentos  morrem.  

A maioria destes grupos familiares negros paranaenses, ainda não sabia que existem outras comunidades no Brasil e também na América Latina inteira, com as mesmas origens, vivendo situações semelhantes. 

 

quarta 18 março 2009 12:30


FORMAÇÃO E LOCALIZAÇÃO – NEGROS NO PARANÁ

Blog de quilombosnoparana :Comunidades Tradicionais Negras e Quilombolas do Paraná, FORMAÇÃO E LOCALIZAÇÃO – NEGROS NO PARANÁ

Dona Vidoneta - Quilombo de São Roque / município de Ivaí - colhendo o milho que ela plantou ao redor de sua casa - foto Clemilda

 

FORMAÇÃO E LOCALIZAÇÃO DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS NEGRAS E QUILOMBOLAS NO PARANÁ

 

     Clemilda Santiago Neto 

Historiadora e Especialista em Educação Patrimonial

 

Correção ortográfica e formatação Fanny Regina de Oliveira 

 

Os descendentes dos africanos que foram escravizados nas fazendas que existiam no estado do Paraná se estruturaram em grupos familiares no meio rural em alguns dos municípios paranaenses principalmente:

·     Nos caminhos que hoje conhecemos historicamente como sendo o caminho das tropas – para condução de gado e de comércio.

·     Nos caminhos onde se localizavam os antigos garimpos tanto de ouro de lavagem como os de mina, região conhecida como o Vale do Ribeira, onde estão as maiores concentrações de negros tanto do lado do Estado de São Paulo como do lado do Estado do Paraná.

·     Nos caminhos onde se buscavam nos rios as pedras preciosas (sertão de Tibagi), também pelos caminhos do litoral por aonde chegavam os navios negreiros, Paranaguá, Antonina e Morretes, aos locais de guarda da mercadoria, ilhas ao longo da costa marítima paranaense como no município de Guaraqueçaba – Ilha das Peças (onde eram vendidas as peças, os escravos) história contada pelos quilombolas, professor Hilton do Quilombo de Batuva e professor Antonio do Quilombo do Rio Verde, por conta da proibição do tráfico negreiro pela Inglaterra, e de lá, iam sendo distribuídos pelo território paranaense, da época.

Hoje, esta população está distribuída em mais ou menos 100 (cem), comunidades, população esta que sobrevive da agricultura de subsistência, caça, pesca e extrativismo, sendo que somente 36 destes grupos familiares foram certificados pela Fundação Cultural Palmares, já que se auto declararam como Comunidades de Remanescentes de Quilombos.

Nas Comunidades de Remanescentes de Quilombos e nas Comunidades Tradicionais Negras, os mais jovens poucos aprenderam para contar as histórias dos seus antepassados, somente os negros (as) mais velhos é que ainda relatam como foi a fuga do cativeiro quando esta houve e foi contada pelos ancestrais que fundaram a comunidade ou o quilombo e das outras famílias negras, que depois foram chegando, ou ainda como houve a aproximação das famílias por afinidade de produção, casamentos, veneração ao santo, às novenas, às romarias, etc.

Chegar aos núcleos onde vivem estas populações é possível somente depois de uma demorada viagem por caminhos difíceis ao longo de estradas em terreno acidentado, algumas completamente sem estradas, as vias de acesso são as picadas depois de muitas horas, duas... três... a pé.

 Os mais velhos não deixam o quilombo para visitar as cidades, somente em casos de tratamento de saúde, para fazer documentos, ou então receber a aposentadoria.

 A população mais jovem já começa a se interessar pelo mundo em volta, e alguns já venderam seus pedaços de terra, ou então cerraram as portas de suas casas e foram embora em busca de melhores condições de vida nas cidades mais próximas e até na capital do Estado – Curitiba, engrossando as favelas e as invasões nos terrenos das prefeituras, ficando em condições de vida ainda piores, formando as comunidades negras urbanas para as quais inexistem programas de atendimento definidos, ou seja, com recorte étnico, é o caso dos municípios de Castro, Campo Largo, Ventania, Arapoti, Guarapuava, Pinhão, Curitiba, etc.

 

              COMUNIDADES QUILOMBOLAS DO PARANÁ    (certificadas)

    MUNICÍPIOS                  COMUNIDADES                         R/U   famílias  habitantes

 

1. ADRIANÓPOLIS

    Comarca Bocaiuva Sul      01. João Surá                           R       41      149

                                                      02. Praia do Peixe                   R        6        23

                                        03. Porto Velho                         R       15       66

                                        04. Sete Barras                         R       18       73

                                        05. Córrego das Moças             R       20       68

                                        06. São João                            R       17       62

                                        07. Córrego do Franco             R        77     208

                                        08. Estreitinho                          R       12       33

                                        09. Três Canais                        R         4       13

 

2. BOCAIÚVA DO SUL

    Comarca Bocaiuva Sul     10. Areia Branca                       R       16       30

 

3. CAMPO LARGO

    Comarca Campo Largo    11. Palmital dos Pretos            R       27      108

 

4. CANDÓI

    Comarca Guarapuava     12. Despraiado                         R        42      210

                                                    13. Vila Tomé                          R        21      110

                                       14. Cavernoso                          R        12       86

 

5. CASTRO

    Comarca Castro

                                       15. Serra do Apon                    R       49      176

                                       16. Limitão                               R       30      106

                                       17. Tronco                                R      15        62

                                       18. Mamãs                                R       8        27

 

6. CERRO AZUL

    Comarca Cerro Azul       18. Mamãs                                 R      11       38

 

7. CURIÚVA

    Comarca Curiúva           19. Água Morna                         R       19        61

                                                   20. Guajuvira                             R       38      132

 

8. DR. ULYSSES

    Comarca Cerro Azul       21. Varzeão                               R         8        30

 

9. GUAÍRA

    Comarca Guaíra            22. Manoel Ciríaco dos Santos  R         7        42

 

10. GUARAPUAVA

      Comarca Guarapuava   23. Invernada Paiol de Telha    R        85      325

 

11. GUARAQUEÇABA

      Comarca Antonina       24. Batuva                                  R        24       94

                                     25. Rio Verde                             R        22       80

 

12. IVAÍ

      Comarca Imbituva         26. Rio do Meio                          R        22       84

 

 

                                     27. São Roque                           R        51      203

 

13. LAPA

      Comarca Lapa                28. Restinga                              R        37      271

                                     29. Feixo                                   R        84      343

                      

 


 

 

 



 

 


 

sexta 20 março 2009 13:35


CONDIÇÕES DE VIDA, DE PRODUÇÃO E A CULTURA

Blog de quilombosnoparana :Comunidades Tradicionais Negras e Quilombolas do Paraná, CONDIÇÕES DE VIDA, DE PRODUÇÃO E A CULTURA

Dona Jandira na produção artesanal da erva mate no Quilombo do Limitão /  Castro - foto Clemilda

 

CONDIÇÕES DE VIDA DE PRODUÇÃO E  CULTURA

NAS COMUNIDADES TRADICIONAIS NEGRAS E QUILOMBOLAS NO ESTADO DO PARANÁ 

 

Clemilda Santiago Neto 

Historiadora e Especialista em Educação Patrimonial 

 

Correção ortográfica e formatação Fanny Regina de Oliveira 

 

Em sua forma de organização social e de produção — quando há abundância de terras para plantar tanto nos Quilombos como nas Comunidades Tradicionais Negras existentes no Estado do Paraná — estas populações seguem normas e critérios praticados pelos mais antigos, ou seja, pelos fundadores da Comunidade, com quem aprenderam fazendo questão de manter e preservar este conhecimento. Possuem a mesma forma de organização cooperativista que possibilitou no passado e possibilita ainda nos dias de hoje, uma economia de abundância.

Os negros escravizados, que ao fugirem das grandes fazendas, se aquilombando nos matos, com os libertos, alforriados, todos livres, adotaram uma economia de subsistência,com "pequenos roçados", produzindo "de tudo para o sustento da família e das criações". Isso prova que, quando não são obrigados a cultivar grandes lavouras sob as ordens dos grandes fazendeiros nem enfrentando as constantes ameaças de madeireiros, que se encontram em cima das terras históricamente lhes pertencem eles prosperam a ponto de assustar a aristocracia rural, que vê nessa forma de uso do solo, baseada na economia familiar, uma ameaça aos latifúndios, que pouca ou quase nenhuma vantagem oferecem aos seus trabalhadores.

Com base na diversificada agricultura praticada nos Quilombos e nas Comunidades Tradicionais Negras Paranaenses, pelos grupos familiares que nelas habitam, passam as pequenas lavouras de mandioca, milho, banana e feijão a ter um relevante destaque no panorama alimentar da população em comparação com a agricultura praticada nos latifúndios.

Nas Comunidades Negras e Quilombolas existe uma fartura que oferece um contraste com a contínua miséria alimentar da população do entorno.

A abundância da mão-de-obra, o trabalho cooperativo e a solidariedade social aumentam a produção que guardadas em celeiros as quantidades em sementes destinadas à próxima plantação, ainda sobra algo para trocar por produtos que não tem e dá até para vender para os vizinhos. 

 

O MUTIRÃO

É mantido até hoje o sistema de mutirão, principalmente no Vale do Rio Ribeira entre as Comunidades Tradicionais Negras e as Quilombolas do Estado do Paraná e do Estado de São Paulo, pois para se unir é só atravessar o rio de canoa e participar do mutirão que pode ser para abrir roça, carpir, colheita de arroz e feijão, limpar as trilhas, construir canoas, construir casas, limpar as estradas.

Aquele que organiza o mutirão, chama as pessoas. Cada um leva sua ferramenta. O dono da casa fornece a alimentação para o dia de serviço e ao final oferece um baile com sanfoneiro ou, na falta deste, com aparelho de som. Oferece comida e bebida durante a festa, que vai noite a dentro chegando até as 8 horas da manhã, quando é oferecido às vezes café da manhã e até o almoço.

Segundo relato de Clarinda da Comunidade de Remanescentes de Quilombos de João Surá em Adrianópolis, a maioria das pessoas que aqui vive, trabalha mesmo na lavoura, agente faz de tudo um pouco, aquí nós temos pedreiros, carpinteiros, só que a gente trabalha para nós mesmos. Se vai pagar alguém de fora para fazer algo dentro da comunidade, agente mesmos faz. Plantamos de tudo um pouco como a banana, a mandioca, o milho, o arroz, a batata-doce, a cana-de-açúcar, o feijão, a abóbora, o cará. O forte mesmo é a mandioca para a casa de farinha. Nós criamos porcos e galinhas. A gente vende pros vizinho ou troca por alguma coisa que falta, tem algumas pessoas que vem até aqui na comunidade para comprar”, completa dona Joana a mãe do Antonio.” 

Além do cultivo desses produtos, a produção da farinha de mandioca é bastante importante para o quilombo. Como conta Clarinda, a comunidade há muitos anos possui uma casa de farinha “que já está com todos os equipamentos em madeira a gente faz a farinha manual. Assim como em outros quilombos, o trabalho de mutirão é muito utilizado: “A gente sempre trabalha em forma de mutirão, todo mundo junto é um ajudando o outro. A gente trabalhando unido, a gente consegue muito e mais rápido. Só que ainda falta muita coisa, até por parte do próprio Estado mesmo”, diz Clarinda.

A principal delas, segundo as quilombolas, é a regularização da situação fundiária.

 

AGRICULTURA 

Com relação a esta questão é importante considerar a forma de uso da terra. Nestas comunidades pratica-se uma agricultura baseada em formas tradicionais de manejo na qual o uso de agroquímicos e máquinas agrícolas é reduzido ou inexistente.

Ocorre um rodízio no uso das terras para os roçados que, após dois a quatro anos de uso são deixados em descanso para serem utilizados apenas vários anos depois quando a mata recobre o lugar, formando-se assim as capoeiras.

Este uso, conforme atestam vários estudos acadêmicos, possuem características mais ecológicas, pois permitem o descanso do solo, não poluem os mananciais com agrotóxicos, etc.

Por conta desta forma de trabalho é importante notar que isto requer que cada família utilize extensões de terras mais amplas do que aquelas que mantêm suas roças, posto que a posse tradicional da terra seja consideravelmente maior do que daquelas que usam em determinado momento, segundo estudos, de quatro a cinco vezes mais dependendo da qualidade do solo, regime de chuvas, etc.

·      Plantio: - arroz, feijão, milho, mandioca, batatinha, batata doce;

   - verduras: couve, alface, repolho verde e roxo, chicória, almeirão;

   - frutas: banana, laranja, limão, mexerica, pêssego, etc;

   - legumes: cenoura, tomate beterraba, pepino e abobrinha;

   - cana de açúcar.

·      Temperos: pimenta vermelha, cebolinha verde, salsinha, cebola de cabeça, alho, manjerona, coentro, louro, etc.

·      Criação de animais: porco, galinha, pato, algumas cabeças de gado, cavalos, algumas das comunidades quilombolas, criam peixes.

·      O trabalho da roça é feito, nestas comunidades, tanto pelos homens como pelas mulheres.

 

                                                  

ÉPOCA DE PLANTIO – FAMÍLIAS NEGRAS – MUNICÍPIOS PARANAENSES

PRODUTO             ÉPOCA DE PLANTIO

arroz                        set / out        

milho                       jul / ago / set / out / nov / dez

feijão das águas      set / out                      

feijão da seca          fev                                                                 

mandioca                set / out / nov     

batata doce             jan / dez

amendoim               set / out / nov             

abóbora                   jul / ago / set / out / nov    

batatinha                 nov / dez

banana                    mar / nov     

pepino                     ago / set        / out / nov / dez

laranja                     set                

polkan                     ago / set                     

pêssego                   jul / ago                      

quiabo                     set / out / nov      

uva japão                ago                     

melancia                 set / out        

abacate                   jan                                                                        

café                         mar                                                        

  

ÉPOCA DE COLHEITA – FAMÍLIAS NEGRAS NO MEIO RURAL MUNICÍPIOS PARANAENSES

PRODUTO             ÉPOCA DE PLANTIO

arroz                        abr / mai                                                 

milho                       abr / mai                                                 

feijão das águas      set                

feijão da seca          jun                                     

mandioca                set /       out / nov      

batata doce             jun / nov       

amendoim               fev / mar / abr / set                  

abóbora                   jul / ago / set / out / nov    

batatinha                 fev / mar                                                              

banana                    mar / nov     

pepino                     ago / set / out / nov / dez

laranja                     ago / set / dez

polkan                     ago / set                     

pêssego                   set / out        

quiabo                     jan / fev / mar                                                              

uva japão                abr / mai                                                

melancia                 mai / set                     

abacate                   out        

café                         fev                                                                 

                            

   CULTURA PRESERVADA

As Comunidades Tradicionais Negras e Quilombolas Paranaenses, aos poucos, despertam para a importância de sua cultura buscando espaços na sociedade que os manteve isolados e discriminados, na conquista de valorização e reconhecimento.

Certo é, que esta população, procura resgatar e resguardar antigas tradições e, em muitas comunidades:

·      Festas e danças lembram os ritmos da África trazidos pelos antepassados como, por exemplo, Romaria de São Gonçalo, Romaria do Divino, Mesa dos Anjos, Recomendação das Almas (com a utilização da Matraca), Terço Cantado, etc.

·      Preservam o artesanato em palha de milho, taboa, fibra de bananeira, retalhos, madeira, argila.

·      Conservam algumas das receitas que eram feitas pelos seus ancestrais.

·      Utilizam-se da medicina natural através dos chás, banhos, pomadas caseiras de ervas, raízes e frutos nativos ou cultivados pela comunidade.

·      Tanto as mulheres como os homens trabalham na casa de farinha, na agricultura, no monjolo, na moenda de cana e os mais jovens não dispensam uma partida de futebol, no Trabalho da terra, em casa os programas de televisão, no entanto, mais importante do que as informações que vêm de fora, tem sido a tomada de consciência, cada vez mais forte, da importância de sua cultura e sua identidade.

Hoje em dia, as Comunidades Negras sobrevivem de suas atividades na terra como: plantio, colheita, coleta de frutos nativos regionais e da produção de subsistência. Sobrevivem também da caça, quando ela existe, da pesca, da plantação de bananas, do palmito, na região do litoral paranaense em Guaraqueçaba. No interior do Estado, no município de Campo Largo, Quilombo de Palmital dos Pretos, os negros reivindicam um reflorestamento de palmito que existia em abundância, no local em que se encontra a comunidade, originando o seu nome: Palmital dos Pretos, “Lugar onde tem muito palmito e moram os Pretos”, era assim mesmo, diz Dona Elenita uma das líderes da comunidade.

Nos agrupamentos rurais negros que estão na divisa com o município de Barra do Turvo/São Paulo, encontramos a atuação de um projeto de Agro Floresta (Iguatu), preservando o meio ambiente, com a plantação de palmito e banana, resgatando a forma de mutirão, semente crioula, sem agrotóxico, e também sem a retirada das árvores e da mata nativa.

O menor índice de desenvolvimento humano se dá nestas áreas, justamente onde se encontram os quilombos e as comunidades tradicionais negras, com alto índice de mortalidade infantil e de analfabetismo, o que faz destas populações as mais pobres do Estado do Paraná.

As possibilidades de auto-sustentabilidade torna estas comunidades totalmente viáveis, mas a falta de infra-estrutura e a atuação de grileiros em cima de suas terras, é o que impossibilita o seu desenvolvimento.

As comunidades negras não são subdesenvolvidas, tecnologicamente, como afirmam alguns, principalmente os mais interessados nas terras onde se encontram as mesmas, mas exatamente devido ao seu isolamento dos grandes centros, preservam uma tecnologia e uma cultura muito própria — os engenhos e moendas em madeira, as casas de farinha, fornos de barro onde assam pães e carnes — o que os faz viver em um sistema estruturado e viável, vendendo os seus produtos ou trocando, quando podem utilizar a terra para plantar.

·      Cultivo da cana;

·      Utilização das moendas de madeira para o trabalho com a cana de açúcar;

·      Produção do melaço;

·      Café do caldo da cana;

·      Produção da Rapadura;

·      Cultivo da mandioca;

·      Casa de farinha;

·      Produção da farinha de mandioca;

·      Utilização do Pilão, descascar o arroz, piloar a erva mate, etc;

·      Monjolo;

·      Produção da farinha de milho;

·      Forno de barro;

·      Fogão de barro;

·      Casa de barro;

·      Forma de trabalhar a terra com respeito ao meio ambiente;

·      Produção da erva mate de forma artesanal – utilizando o forno de barro e o pilão.

 

 

 

 

 


sábado 21 março 2009 03:10


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