" APRESENTAÇÃO"

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Ah...estou neste momento lembrando o tempo de criança em que eu fazia fogo no fogão de lenha para minha mãe e minha avó...socava serragem e o fogo durava a tarde toda...mantendo o ambiente quentinho...na casa da dona Celina esposa do senhor Antonio Camargo presidente da Associação quilombola de São João no município de Adrianópolis !!!

Foto Vidal Cordeiro Meneguette.

Os relatos aqui apresentados referem-se aos dados e informações, colhidas no trabalho de campo realizado através de visitas às Comunidades Tradicionais Negras e Quilombolas existentes no meio rural em alguns dos municípios paranaenses  - entre os anos de 2004 e 2007 - como integrante do Grupo de Trabalho Clóvis Moura .

Também estaremos incluindo os relatos e fotos do trabalho realizado de 2012 a 2014  como Coordenadora do Programa Brasil Quilombola no Paraná.

As informações foram extraídas de " Cadernos de Campo "utilizados no momento do trabalho de levantamento  para facilitar  a organização e a sistematização de relatório, também fornecer  aos interessados na temática subsídios para uma melhor compreensão de onde estão e como vivem estas Comunidades.

Também foram incorporados aos relatos, observações e reflexões desenvolvidas durante o processo de realização do trabalho.

Em todas as etapas do trabalho foram assegurados os princípios éticos do levantamento pois envolve seres humanos, não se tratando simplesmente de uma coleta de dados. Tanto os relatos, quanto as fotos que registram a presença destes grupos foram feitos com o consentimento das pessoas, das famílias e das comunidades.

Sempre enfatizamos o direito que possuem em  responder ou não o questionário todo ou parte dele, mas em todas as Comunidades em que os trabalhos foram realizados, consentiram e responderam livremente. Registramos algumas dificuldades no Quilombo de "Campina dos Morenos", que só decidiram nos receber depois de um ano do nosso primeiro contato com a comunidade.

A solicitação  do retorno de nossa equipe para efetuar o trabalho com a comunidade, na época, partiu do então Secretário de Cultura do Município de Turvo que muito nos auxiliou e a quem agradecemos.

Clemilda Santiago Neto

Historiadora e Especialista em Educação Patrimonial

clemilda.santiago@gmail.com

(41) 84301435

 Correção ortográfica e formatação Fanny Regina de Oliveira 

 

 

sábado 14 março 2009 02:35


COMUNIDADE DE REMANESCENTES DE QUILOMBOS DO RIO DO MEIO DO MUNICÍPIO DE IVAÍ NO PARANÁ

Blog de quilombosnoparana :COMUNIDADES DE REMANESCENTES DE QUILOMBOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS NEGRAS DO PARANÁ, COMUNIDADE DE REMANESCENTES DE QUILOMBOS DO RIO DO MEIO  DO MUNICÍPIO DE IVAÍ NO PARANÁ

Cotidiano na roça - CRQ do Rio do Meio - Ivaí

“HISTÓRIA DA COMUNIDADE DE REMANESCENTES DE QUILOMBOS DO RIO DO MEIO DO MUNICÍPIO DE IVAÍ NO ESTADO DO PARANÁ”

                        Esta História foi escrita por dona Maria Candida de saudosa memória e entregue para o seu filho Antonio Jorge hoje Presidente da Associação da CRQ de Rio do Meio, que nos permitiu copiá - lo em 27/06/2014 e que nos permitiu transcrevê - lo e publicá -lo  neste Blog!

Clemilda santiago Neto

A existência de um rio menor no meio de dois rios – o Rio Guabiroba e o Rio dos Ìndios, deu origem ao nome da localidade, “Rio do Meio”. Seus primeiros moradores foram Negros Africanos escravizados, que se apossaram das terras, num total de 161 alqueires, derrubando as matas, foram abrindo caminhos e construindo casebres de madeira lascada, de chão batido. Não tinham móveis e as panelas eram de ferro.

Alguns destes escravizados eram: Raimundo, Miligildo, Pedro Marçá, Sabina, Sebastião Grande, Hipólito, Joana, Marcelo, Tomazia, o chefe do grupo era Joaquim Ferreira. Na área comum da comunidade localiza-se a Escola de 1ª a 4ª série que se encontra desativada e a Igreja.

“RELIGIOSIDADE”

Em sua maioria as famílias da comunidade, professam o catolicismo. O Padroeiro é “Bom Jesus de Iguape”, a sua primeira imagem era feita de barro. Hoje a imagem é maior feita de gesso, a festa em sua homenagem é realizada no dia 06 de agosto. Existem várias imagens de santos que de acordo com a comunidade são do tempo da escravidão.

 

“RELÍQUIAS VENERADAS”

01. Bíblia em latim do ano de 1868

02. Imagens do Senhor Bom Jesus e do Menino Jesus, esculpidas em massa!

03. Crucifixo dentro de um vidro!

Estes objetos de acordo com o que contam alguns membros da comunidade tem mais de cem anos.

“SANTOS VENERADOS E DATAS COMEMORADAS”

São Roque, São Sebastião, São Gonçalo.

No dia 13 de maio, na Igreja, são realizadas novenas.

Na véspera do Natal é realizada a Romaria de São Gonçalo.

No dia 12 de outubro é comemorada a Srª Aparecida e dia das crianças.

 

No dia 20 de dezembro de 1998, foi recebido pela comunidade o Santíssimo na Capela, o qual desde então permanece no local. A comunidade preparou para recebe-lo um tapete de serragem e flores vivas. Neste dia 06 crianças da localidade e vizinhanças receberam a Primeira Eucaristia.

“EDUCAÇÃO”

Dona Maria Cândida a primeira professora, estudou até a quarta série na Cachoeirinha, e com muito esforço buscou conhecimentos que trouxe para a sua comunidade, sendo indicada pela comunidade como professora para atuar na Escola construída pela prefeitura de Ipiranga, com a colaboração da comunidade e denominada Escola Isolada de Rio do Meio. Então dona Maria Cândida, foi contratada pelo  prefeito do município. A busca de formação e informação de acordo com os relatos de seu filho Antônio Jorge hoje Presidente da Associação da Comunidade de Remanescentes de Quilombos do Rio do Meio não foi fácil. Na época o meio de transporte era o cavalo e a distância entre a Escola e a prefeitura de Ipiranga era grande e de difícil acesso, dificuldade esta que teria que ser vencida inclusive no momento de receber o seu salário como professora. Dona Maria Cândida era também, Ministra da Eucaristia, fazia parte da Pastoral da Saúde, trazendo sempre os remédios necessários para o atendimento da comunidade era respeitada por todos os moradores da localidade.

A Escola foi se tornando o centro da comunidade, era o local de reuniões, encontros e hoje desativada está sendo solicitada pela comunidade ao Sr prefeito de Ivaí em comodato para instalação de uma cozinha comunitária para beneficiamento dos produtos agrícolas, com o trabalho das  mulheres quilombolas cadastradas como agricultoras. Também para instalação de um telecentro com 10 computadores cedidos pela Celepar, com internet, instalada pela Copel, ambas do Governo do Paraná para que a comunidade tenha acesso as novas tecnologias.

Em 1998 foi comprado pela prefeitura um ônibus para levar os alunos que concluíam a 4ª série para continuar seus estudos na sede do município de Ivaí, na época 09 alunos prosseguiram seus estudos na Escola Gil Stein Ferreira – Ensino Fundamental.

“AGRICULTURA”

Antigamente a comunidade produzia: Milho, arroz, feijão, mandioca, plantavam para subsistência, o que sobrava era vendido ou trocado por artigos que a comunidade precisava com as comunidades ao redor. As mulheres faziam farinha no munjolo, teciam baixeiros e cestos feitos de couro de anta e outros animais. Criavam animais que lhes rendiam a carne, ovos e leite. Possuíam cavalos para o seu transporte e de sua produção (cargueiros).

“SAÚDE”

Era tratada com remédios caseiros, o Senhor Sebastião Grande era o curandeiro e o benzedor, o Senhor Orlando Santos costurava machucadura, uma tradição aprendida com os mais velhos.

As senhoras Helena e Otália Ferreira eram parteiras, a dona Maria Cândida era quem arrumava machucaduras e trabalhava também com as ervas, conhecimento ancestral, passado de pais para filhos, de geração em geração.

“BRINCADEIRAS INFANTÍS”

  • Brincadeiras de roda como a ciranda cirandinha
  • Casinha
  • Boneca de pano
  • Peteca de palha de milho
  • Paleta
  • Bicicleta de Pau
  • Pernas de pau
  • Carrinhos de madeira

 

quinta 24 julho 2014 01:44


SITUAÇÃO DAS COM.DE REMANESC. DE QUILOMBOS E TRAD.NEGRAS DO OUTRO LADO DO PARQUE EST.DAS LAURÁCEAS

Blog de quilombosnoparana :COMUNIDADES DE REMANESCENTES DE QUILOMBOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS NEGRAS DO PARANÁ, SITUAÇÃO DAS COM.DE REMANESC. DE QUILOMBOS E TRAD.NEGRAS DO OUTRO LADO DO PARQUE EST.DAS LAURÁCEAS

 Este mapa demonstra a localização das Comunidades de Remanescentes de Quilombos e a sua impossibilidade de acesso á séde dos municípios aos quais pertencem.

Relato : Clemilda Santiago Neto

Professora de História e especialista em Educação Patrimonial

Correção ortográfica : Elza dissenha

Professora de Português e Inglês da Rede Pública Estadual

Depois de centenariamente preservado pelo cinturão de Comunidades de Remanescentes de Quilombos existentes na região do Vale do Ribeira, o Parque Estadual das Lauráceas acaba por se transformar numa ameaça aos modos de vida dessas comunidades.

Após arrancar a Comunidade de Remanescentes de Quilombos de São João, cujas casas ainda permanecem dentro da referida área, o Governo do Estado do Paraná criou, em julho de 1979, o Parque Estadual das Lauráceas com o objetivo de proteger um ambiente ainda pouco alterado pela presença humana e no qual se encontram áreas com florestas primárias - que nunca foram cortadas - onde se destacam áreas com árvores de grande porte que algumas vezes superam 35 m de altura, e pertencem principalmente à família das Lauráceas (Canelas).

De acordo com dados do Instituto Ambiental do Paraná, o Parque possui 29.086 hectares, sendo o maior parque do estado, localizado entre os municípios de Tunas do Paraná e Adrianópolis, no Vale do Ribeira (divisa com São Paulo), a 120 km de Curitiba, região de difícil acesso. Apresenta uma vegetação de transição entre a Floresta Atlântica e a Floresta de Araucária, o que lhe garante uma grande variedade de espécies da fauna e flora, como bromélias, orquídeas, canelas, entre outras. Com relação à fauna, destacam-se algumas espécies como o papagaio do peito roxo, a jacutinga e uma grande variedade de mamíferos, como antas, felinos, lebres e veados. A nomeação dada ao parque deve-se à família botânica detentora do maior número de espécies arbóreas ocorrentes em seus 27.000 hectares. Em meio aos pinheiros, ipês, jequitibás e figueiras, encontram-se as canelas preta e amarela, coqueiro, lageana e Imbuia, entre outras espécies. Protegidos por essa floresta, vivem as onças, suçuaranas, antas, catetos e preguiças, além dos seriamente ameaçados papagaios e jacutingas, que podem ser vistos por quem se dispõe a enfrentar seus difíceis acessos.

O parque encontra-se fechado para visitação pública e aberto apenas para pesquisas. Entre os parques do Paraná, o das Lauráceas é um dos mais conservados. Assentado sobre lentes calcáreas, o Parque possui potencial para conter cavernas, um atrativo turístico com importância cultural, ambiental e científica. Formadas há milhões de anos, possuem fauna específica (alguns tipos de aracnídeos, de peixes e crustáceos), muitas delas abrigam registros de populações passadas - como é o caso de gravuras rupestres e ossadas de animais pré-históricos.

É importante mencionar que a preservação deste local deve-se à forma como as comunidades remanescentes de quilombo lidaram com a terra, evitando o manejo inadequado do solo, das águas e de outros  recursos naturais tão preciosos para a manutenção da vida nessa região. A presença dessas comunidades também inibiu o alastramento do plantio de pinus, bem como a retirada de árvores centenárias, que despareceriam com o cultivo de pasto para a criação de gado e de búfalos.

O Parque Estadual das Lauráceas possui uma área total de 23.863.48 hectares , sendo 20.163.48 hectares pertencentes ao município de Adrianópolis, situado próximo ás Comunidades de Remanescente de Quilombos  de João Surá , Três Canais e Córrego do Franco e a de São João, que foi destituída de seu local de origem, antes dentro da área que hoje é o parque, e colocada ao lado da fazenda Andorinhas. O restante da área pertence ao município de Bocaiúva do Sul, entre a sede do município e a Comunidade de Remanescentes de Quilombos de Areia Branca, impedindo o acesso da comunidade ao seu município de origem.

Na verdade, o Parque acabou se tornanando impedimento de acesso para estas comunidade  às políticas públicas de direito, como educação, saúde, água, luz, saneamento básico, estradas para escoamento de sua produção agrícola, artesanato, etc.

 

 

quarta 09 março 2011 10:00


PARQUE ESTADUAL DAS LAURÁCEAS E AS COMUNIDADES DE REMANESCENTES DE QUILOMBOS DO ENTORNO

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quarta 04 janeiro 2012 13:56


HISTÓRIA DO QUILOMBO DO SUTIL MUNICÍPIO DE PONTA GROSSA

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Dona Noeli fabricando o seu delicioso doce de abóbora com côco no Quilombo do Sutil/Ponta Grossa - foto Clemilda - arquivo do Grupo de Trabalho Clóvis Moura.

QUILOMBO DO SUTIL / MUNICÍPIO DE PONTA GROSSA

                                                                                                      

Clemilda Santiago Neto

Historiadora e Especialista em Educação Patrimonial

 

Correção ortográfica e formatação Fanny Regina de Oliveira

 

Pelos relatos locais, conta-se que o nome "Sutil" surgiu em homenagem ao tropeiro Benedito Subtil, que veio de Sorocaba e que por muitos anos hospedava-se na comunidade com os negros.

Dona Vani Ferreira Batista, 58 anos, acredita que o grupo já está há mais ou menos 300 anos nesta terra, pois somente a sua família já está ali há 6 gerações; seus tataravós, bisavós, avós, pais, a sua geração e agora os seus filhos.

Seu Antônio, descendente de africanos, conta que sua avó era nigeriana, mulher alta e magra. Ele diz que o dono da fazenda doou as terras para os negros após a libertação dos escravos. Seu Gonçalves e Seu Ferreira foram as pessoas que receberam essas terras. Dessa família, conta seu Antônio, a senhora Maria Simoa Ambrózia recebeu grande parte da terra, pois ela era a matriarca da maior família e filha de Seu Gonçalves. Seu Antônio conta ainda que havia os invasores das terras dos negros, a família Klass (João, Alberto, Arthur, Arnoldo e Alfredo). Que estes compravam as terras dos negros através do Braz Rio Branco, intermediário das negociações, intrometendo-se na comunidade e tornando-se compadre de várias pessoas na comunidade.

A terra dos negros compreenderia o espaço desde o Rio Tibagi ao Caniú e do Caniú a Santa Rita.

Benedito Gonçalves, de 76 anos, hoje aposentado, relata que sua bisavó foi escrava e uma das primeiras moradoras da terra onde está a Comunidade do Sutil.

Seu Benedito conta situações de racismo que existiam antigamente na região, pois quando havia bailes, ou era só de "pretos", ou só de "italianos", ou só de "alemão", ou ainda só dos “russos”. Os "pretos não podiam chegar nos bailes no "Tabuleiro", pois lá só entravam os polacos (poloneses), e no baile no "Lago" só os alemães. Seu Benedito conta ainda que isso se passou há mais ou menos 60 anos, mas que hoje em dia dança todo mundo junto. Os "russos", segundo seu Benedito, estão na região há 55 anos e o contato com eles sempre foi para o trabalho.

Seu Benedito era o "professor" na comunidade por muitos anos. Conta que ia para a roça pela manhã e ficava até o meio-dia. Lavava o rosto cheio de terra nas águas do rio e até às 4 horas permanecia na escola. Durante quatro horas dava aula e depois voltava para trabalhar na roça até às 19 horas. Ele fazia esse trajeto até a escola à pé, numa caminhada de mais ou menos cinco km. Hoje em dia o Seu Benedito vê a facilidade do ônibus que leva as crianças, jovens e adolescentes para a escola. Mas elas voltam ao meio-dia e ficam sem ter o que fazer durante toda a tarde.

sexta 29 maio 2009 11:58


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